terça-feira, 28 de julho de 2020

Aspectos emocionais do câncer

O câncer coloca a pessoa em situação limite, pois carrega o estigma da morte e do sofrimento. Mesmo na atualidade, em que a oncologia vem trazendo avanços no diagnóstico e tratamento da doença, aumentando a sobrevida e cura dos pacientes, a máxima de que o câncer mata ainda rodeia a mente das pessoas.

Existe muita especulação sobre a influência do estado emocional no surgimento de tumores, mas não é claro afirmar que qualquer tristeza ou raiva levará ao surgimento do câncer. Sabemos, contudo, que o estado emocional afeta profundamente o ser humano em todos os sentidos, uma vez que as reações emocionais disparam uma série de substâncias que podem abalar a eficiência do sistema imune.

Recentemente, uma nova área da medicina, a psiconeuroimunologia, ganhou força ao demonstrar interação entre estados emocionais e a reação física disparada por eles, podendo levar a alterações orgânicas. Inclusive, alguns pesquisadores sugerem que a ação do estresse sobre o organismo humano pode provocar modificações das células, diminuição de linfócitos e da imunidade, atuando na redução das defesas do corpo. 
Hoje, sabemos que a maioria das doenças é multifatorial, havendo confluência de fatores (genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, alimentos, entre outros) envolvidos em seu surgimento. 

Da mesma forma, percebo na vida prática ao longo dos anos que, sim, os pacientes que enfrentam um câncer habitualmente mudam seu modo de ver a vida, o mundo à sua volta. A grande maioria vê a vivência como uma forma de transformação. O enfrentamento com a iminência da finitude nos traz isso - é a possibilidade de exercermos o melhor de nós mesmos. Os valores são revisitados, reavaliados e, muitas vezes, modificados.

Da mesma forma que as emoções negativas podem interferir no desenvolvimento de doenças, a maneira que lidamos com elas, a presença e a busca por emoções positivas, que incluem a espiritualidade (que nada tem a ver com religião e, sim, com alguma fé em algo maior) também auxiliam na evolução do tratamento e seguimento desses pacientes, que muitas vezes entram em remissão da doença.

Com meus pacientes, costumo afirmar que não estamos lutando contra a morte, que virá em algum momento para todos e, sim, lutando pela vida. Sempre desejo que ela seja a melhor em todos os momentos, mesmo nos difíceis.

*Christianne Guilhon Martelotta Amalfi  é oncologista clínica e presidente da Fundação Ilumina

Fonte: A Redação

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