sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A morte explicada por uma criança com câncer terminal



“Quando eu morrer, acho que minha mãe vai ficar com saudade. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!”

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
— Tio, disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!
Indaguei: — E o que morte representa para você, minha querida?
– Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.) É isso mesmo.
– Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
– E minha mãe vai ficar com saudades – emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
– E o que saudade significa para você, minha querida?
– Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu.
Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.
 



domingo, 23 de outubro de 2016

Amizade, leveza e bom humor na luta contra o câncer de mama

À frente do Força Gurias, as gaúchas Dani Israel e Ana Ávila defendem a importância da autoestima e do empoderamento no combate à doença.

Outubro Rosa: Força Gurias (Foto: Gurias Bacannas)
Projeto é movido pelo sentimento de compreensão mútua.


Foi na sala de espera de um consultório médico que as gaúchas Dani Israel, 29, e Ana Ávila, 35, se conheceram. As duas estavam ali para lutar contra o câncer de mama – ambas tinham recebido o diagnóstico dois meses antes, em janeiro, e se preparavam para o início da quimioterapia. Conversando, descobriram que tinham muito mais coisas em comum e encontraram, uma na outra, um apoio extremamente valioso. “Claro que a gente tem amigos, família, faz terapia... Mas também precisa ter alguém que fale a mesma língua, com dores parecidas”, comenta Ana.

É esse sentimento de compreensão mútua que elas querem levar a outras mulheres com câncer de mama por meio do Força Gurias. Na página do projeto no Facebook, que tem mais de 3,5 mil likes, predomina o bom humor, com posts que abordam desde a duração da radioterapia até mudanças na alimentação e looks com turbantes.

Neste mês, elas colocaram no ar um canal no YouTube. Às terças, quem fala é a Dani, que é cineasta e produtora executiva na Bactéria Filmes, além de professora universitária. Seus vídeos são mais voltados a aspectos médicos – por exemplo, o que é e para que serve um dreno após a realização da cirurgia. Às quintas, é a vez da Ana, que tem um blog de moda, o Gurias Bacannas. Em seus vídeos, ela retoma o assunto abordado por Dani, mas com foco em moda e comportamento – se o tema é dreno, ela explica que tipo de roupa ajuda a disfarçá-lo. Uma vez por mês, o canal trará entrevistas com especialistas sobre temas como cirurgia, fisioterapia e quimio.

A ideia surgiu a partir da própria demanda delas por fontes de informação que tratassem do câncer de mama de forma leve e que ajudassem a lidar com os desafios mais mundanos que afetam a vida das pacientes. “Que é traumático, todo mundo já sabe. A gente queria informações sobre como lidar com problemas do dia a dia, que tivessem um astral mais leve, e não encontrava”, diz Ana.

Para Dani, esse quadro pode estar relacionado à questão etária: como o câncer de mama geralmente se manifesta em mulheres mais velhas, os sites voltados à questão acabam não contemplando as pacientes mais jovens, como ela. “Outra coisa importante é o lugar de fala, ou seja, quem está falando para quem. Na internet, encontramos informações ou de médicos, ou de ONGS, ou seja, com um discurso institucional. E a gente queria se enxergar lá também”, destaca a cineasta.

Outubro Rosa: Força Gurias (Foto: Gurias Bacannas)
Ao promover um espaço para a interação entre as próprias mulheres, onde a informação circula de forma horizontal, e não de cima para baixo, Dani e Ana tentam incentivar o empoderamento e a autoestima. E esse fortalecimento emocional faz diferença na hora de enfrentar os desafios impostos pela doença. Pelo menos, é isso que constatam a partir da própria experiência e da troca com outras pacientes. “Ao receber o diagnóstico, eu decidi que queria viver e ia enfrentar essa barra da melhor forma que podia. E qual é a minha melhor forma? Quem é a Dani nessa nova fase? Ao lutar, a gente vai descobrindo o que tem de belo e de bom. Minha autoestima veio dessa redescoberta de quem eu sou”, comenta Dani.

“Eu me preparava para as sessões de quimioterapia como se fosse para uma festa. Eu me maquiava, colocava roupa nova e dizia: ‘estou indo para a minha cura, para algo que me ajuda a viver’. Essa postura me ajudou muito”, acrescenta Ana. Claro que nem sempre é fácil manter o astral lá no alto. Ana viveu um verdadeiro luto ao ter que raspar a cabeça e sabe como a mudança de visual pode ser simbólica e dolorosa para quem tem câncer. Com o tempo, porém, não só aprendeu a curtir as perucas – “com ela, a gente pode brincar de ser quem quiser” –, como descobriu que também é bonita careca.

Essa aprendizagem se materializou num ensaio fotográfico em seu blog. Ela repetiu uma série de retratos que tinha feito antes do diagnóstico, usando as mesmas roupas e adotando as mesmas poses. O resultado você pode ver nas imagens abaixo. “Foi lindo. Eu me senti muito empoderada.”

A busca por ajudar outras mulheres com o Força Gurias acabou tendo um efeito terapêutico para elas mesmas. Segundo Dani, entrar em contato com as histórias de outras pacientes permitiu que descobrissem novas formas de lidar com o problema e desenvolvessem ainda mais o poder de empatia – a capacidade de se identificar com o sentimento de outra pessoa. “Ao falar para elas, também estamos falando para nós mesmas. E, como dizia Freud, a fala cura”, reflete Dani.

Fonte: Galileu.


sábado, 22 de outubro de 2016

Poemas de Superação

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para faze-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem,
queira Deus que o mundo possa abraçá-lo hoje com seu calor e Amor !

E que o vento possa levar-lhe uma voz que lhe diz que há um Amigo,
vivendo num outro lado do Mundo, desejando que você esteja bem e que,
acima de tudo, seja muito feliz!!!
Silvia Schmidt




Terei sempre força e coragem para viver.
Medo e melancolia fazem parte...
Não desistirei dos meus objetivos
pois, tenho audácia suficiente para
enfrentar os obstáculos .
Esperança é o que me move
e me faz seguir adiante.
Aprendi a amar com plenitude
a tudo e a todos.
Por isso a palavra desistir
não faz parte do meu dicionário, ao contrário,
coragem é a palavra de ordem, nesse momento.
Vou VIVER sem lamentos!
Irma Jardim


Oque você estar esperando ?
Que alguém levante a faça algo que você não tenha coragem para fazer ?

Reflita , fique um tempo sozinho (a) mais nunca pare de lutar ,você só se conhecerá , quando você resolver seus problemas e conhecer o seu verdadeiro eu !



O que revela a nossa força não é sermos imbatíveis, incansáveis, invulneráveis. É a coragem de avançar, ainda que com medo. É a vontade de viver, mesmo que já tenhamos morrido um pouco ou muito, aqui e ali, pelo caminho. É a intenção de não desistirmos de nós mesmos, por maior que às vezes seja a tentação. São os gestos de gentileza e ternura que somente os fortes conseguem ter...




A Alma do Mundo

Quando você conseguir superar problemas graves não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na benção de Deus que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.



Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!




O fatalismo é sempre uma doença do pensamento ou uma fraqueza da vontade.




Ode à vida

Faça com que possa
crer em teu futuro,
mostre-me que tens força
e transponha o muro
que te faz cativo
da dor e da vergonha.
Teu coração aberto
ao mundo ponha,
desperte a mente
que na vida sonha,
acenda as luzes
e fuja do escuro.

Não pense que tudo
se acabou,
nem que de ruínas
será teu existir,
lute, erga a cabeça, viva,
ou sucumbirás ao medo
que há de vir.
Se tua vontade é fraca,
faça da derrota teu porvir,
dê-me tua mão e creia
que sou a outra mão
pronta a te servir.


Fonte: Diversas.

Combinação de remédios faz tumores na mama encolherem em 11 dias

As substâncias têm se mostrado capazes de encolher e até eliminar em 11 dias tumores de cerca de um quarto de pacientes diagnosticados com o tipo HER2 positivo de câncer de mama.


A combinação dos medicamentos lapatinibe e trastuzumabe  tem se mostrado capaz de encolher, e até de eliminar em 11 dias, tumores de cerca de um quarto de pacientes diagnosticados com o tipo HER2 positivo de câncer de mama, considerados um dos mais agressivos. A notícia foi motivo de animação e surpresa dos pesquisadores pela rapidez de sua ação e também por não se tratar de nenhuma substância quimioterápica.

O estudo foi apresentado nesta quinta-feira (10), durante a 10ª Conferência Europeia de Câncer de Mama, e embora limitado, já é capaz de abrir caminhos que para as vítimas da doença tenham a oportunidade de escaparem da única alternativa apresentada para este diagnóstico, a quimioterapia. Outra novidade é a possibilidade de algumas mulheres conseguirem preservar parte de seus seios mesmo após a cirurgia removedora de tumores, o que certamente representará uma notável mudança estética e psicológica das pacientes.

O HER2 positivo atinge cerca de 20% das pacientes e tem como uma de suas características mais marcantes o crescimento acelerado e invasivo dos tumores nos seios. Por isso é extremamente importante que sejam removidos através da cirurgia durante sua a fase inicial.

O estudo foi financiado conjuntamente entre o Instituto de Pesquisas do Câncer do Reino Unido e pelo laboratório farmacêutico GlaxoSmithKline (GSK). 257 mulheres diagnosticadas há pouco com esse tipo específico de câncer participaram dos testes realizados entre os anos de 2010 e 2015. 130 mulheres foram distribuídas em três grupos de controle na primeira fase do estudo, o primeiro não recebeu tratamento algum nos 11 dias anteriores à cirurgia removedora; o segundo em que elas apenas foram medicadas com um dos remédios, o trastuzumabe; e o terceiro que recebeu apenas o lapatinibe.

Nesta fase inicial já foi capaz de notar uma eficácia muito superior nas pacientes que foram diagnosticadas com ambos os remédios. Então, o grupo foi dividido novamente em três subgrupos, entre eles o de controle, que não recebeu qualquer medicamento; outro submetido apenas ao tratamento com trastuzumabe e por fim, o que recebeu a combinação de ambos os remédios por 11 dias.

Os resultados das análises feitas no período pós-cirúrgico apontam que das mulheres medicadas com as duas substâncias, 11% apresentaram uma resposta patológica completa, ou seja, não foram encontradas mais células cancerígenas nos tecidos; 17% ainda possuíam uma doença mínima residual, isto é, o tumor apresentou um diâmetro inferior a 5 milímetros. As mulheres que foram diagnosticadas apenas com o trastuzumabe não registraram o desaparecimento do tumor, e apenas 3% ainda apresentava a doença mínima residual. Já no grupo de controle, nenhuma das pacientes apresentou qualquer melhora.

Nigel Bundred, professor de cirurgia oncológica da Universidade de Macherester e  responsável por apresentar a inovação na conferência, declarou que: "O estudo tem o potencial de mudar paradigmas por nos permitir identificar um grupo de pacientes que em 11 dias verá seus tumores desaparecerem só com a terapia contra o HER2, e que muito provavelmente, não precisarão de uma quimioterapia após a medicação com essas duas substâncias." E completou: "Isso nos dá a oportunidade de personalizar o tratamento para cada mulher com base na resposta precoce, permitindo identificar pacientes que possam evitar a quimioterapia."

Judith Bliss é diretora do Instituto de Pesquisas do Câncer do Reino Unido e colíder do estudo realizado. Ela também viu benefícios palpáveis na rapidez em que as substâncias agiram sem a necessidade de quimioterapia, mas ressaltou que o projeto ainda está em andamento, e precisará ter seus resultados confirmados com experimentos maiores e mais longos: "

"Nosso ensaio se propôs a usar a janela entre diagnóstico e cirurgia para procurar pistas sobre o tratamento combinado nos tumores HER2 positivos, mas foi inesperado ver uma resposta tão surpreendente em apenas 11 dias", explicou Judith: "Nossos resultados são um fundamento poderoso para construirmos outros experimentos de terapias combinadas anti-HER2 prévias à cirurgia que reduzam o número de mulheres que necessitem de quimioterapia subsequente, que também é muito efetiva, mas pode ter efeitos colaterais de longo prazo."

Fonte: M de Mulher.

"Enfrentei e venci o câncer de mama duas vezes"



A consultora de investimentos Viviane Ferreira, 42 anos, viu a doença voltar mesmo após a retirada dos dois seios. No processo, pediu o divórcio, casou novamente e arrumou forças para, ao lado da filha pequena, se reinventar.

"Nunca vou esquecer daquele 22 de setembro de 2008. Foi quando recebi o diagnóstico de que estava com câncer de mama. Tinha 35 anos e uma filha de 3 para criar. Havia descoberto por acaso um nódulo pequeno no meu seio direito e o médico pediu uma série de exames. Fiquei tranquila, achava que não era nada grave, apesar de ter histórico na família. Em 2004, aos 56 anos, minha mãe sofrera com um câncer de mama e outro no cérebro. Mas eu era jovem, não iria acontecer comigo. Ao menos era assim que eu pensava.

Quando recebi a notícia de que o nódulo era maligno, chorei muito, mas não fiquei paralisada. Ao sair do consultório, liguei para uma amiga que tinha enfrentado a doença. Ela foi jantar em casa e me passou todas as coordenadas. Na semana seguinte, eu já estava na mesa de operações. Tirei as duas mamas e reconstruí os seios. Em novembro, comecei a rádio e a quimioterapia – saí da primeira sessão destruída, com um enorme mal-estar. No dia seguinte, era o aniversário do meu marido, com quem estava havia 16 anos. Para minha surpresa, ele me deixou sozinha e foi para um bar com os amigos. Dias depois, durante uma discussão, reclamou que eu não tinha providenciado um bolo para o seu aniversário. No Réveillon daquele mesmo ano, alugou uma casa na praia com a turma e insistiu para que eu fosse também. Foi péssimo. Passei muito mal e precisamos voltar para São Paulo. Ele chegou mal-humoradíssimo e, de quebra, fui sozinha para o hospital.

Episódios assim me levaram a pedir o divórcio, em maio de 2009. Não sei de onde tirei forças. Estava fragilizada, sem cabelo e com a químio em curso, mas queria mostrar à minha filha, Constanza, que a gente sempre consegue achar opções para ser feliz na vida, mesmo em meio ao caos. E, naquele momento, eu vivia o caos. Além do câncer e da separação, enfrentava a dor de ver minha mãe em um estado de saúde delicado. A radioterapia que havia eliminado o tumor de seu cérebro, em 2006, causara a perda dos movimentos corporais e da capacidade neurológica. Eu e minha irmã mais velha decidimos que ela não saberia de nada sobre minha doença. Foi melhor assim, mas ao mesmo tempo não pude me refugiar em seu colo nos momentos mais difíceis do tratamento.

Dois meses após minha separação, encontrei Carlos por acaso. A gente se conhecia de vista, da época de adolescência. Ele nasceu e cresceu em Guaxupé (MG), mesma cidade dos meus pais, mas estava morando em São Paulo. Começamos a namorar e, depois de dois anos, estávamos casados.

Em 2013, um novo baque. Minha mãe morreu e, passado algum tempo, durante um exame de rotina, o médico descobriu outro nódulo no meu seio direito. A primeira pergunta que me veio à cabeça foi: ‘Mas como, se eu retirei as duas mamas?’ Ele me explicou que o tumor havia aparecido em um tecido remanescente da mama, que não tinha sido retirado. A notícia me trouxe revolta e a sensação de impotência. Vivia um momento ótimo: estava trabalhando, casada com uma pessoa maravilhosa e que se dava muito bem com minha filha. Sem contar que, após o primeiro câncer, eu tinha mudado minha visão de mundo. Passara a me cobrar muito menos e a ser mais verdadeira com meus sentimentos. Mas não havia alternativa. Conversei com a Constanza, então com 8 anos, e contei que voltaria a tomar o remedinho que fazia o cabelo cair. Viajamos aos Estados Unidos para visitar minha irmã e passamos a lidar com a doença de outra maneira. Dessa vez, eu não usaria peruca. Lá, compramos uma boneca careca, feita para crianças às voltas com o câncer, e trouxemos lenços coloridos para que eu usasse durante o tratamento. Quando comecei a perder os fios, Carlos raspou minha cabeça e a dele também. Busquei força em terapias alternativas, como reiki e radiestesia, que me ajudaram bastante ao longo do processo.

Nas noites de insônia, após as sessões de quimioterapia, comecei a colocar minha história no papel. O ponto de partida foi a morte do meu irmão caçula, aos 10 anos, em um acidente de carro, em 1988 – um trauma que só superei duas décadas depois, com muita terapia. E escrevi sobre minha luta contra a doença. Após seis meses de tratamento, recebi alta e desde então estou com a saúde ótima. No ano passado, fiz dois cursos de escrita nos Estados Unidos. O resultado é o livro Vivificar – Superando o Imponderável (editora AGWM, 28,70 reais), que fiz questão de lançar neste mês por causa da campanha do Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama. O título brinca com meu apelido, mas é também um verbo cujo significado, renascer, tem tudo a ver com minha história. Com esse relato, espero ajudar as pessoas ao compartilhar três grandes lições que aprendi. Primeiro, que a gente precisa saber se reinventar; depois, temos que entender que podemos fazer escolhas; e, por fim, precisamos acreditar que após a tempestade vem a bonança. E disso elas podem ter certeza."

Fonte: M de Mulher.

Jornalista sobre o câncer de mama: "Ele me mostrou a força do momento presente"



Divulgação/Amanhã Hoje É Ontem


O que você faria se descobrisse, abruptamente, durante a realização de exames de rotina, que é portadora de uma doença que pode acabar com a sua existência a qualquer momento? Foi a situação que a apresentadora do programa Agenda - da Rede Minas - Daniella Zupo, viveu aos seus 43 anos, em um gélido consultório médico. "Não me senti traída pelo destino com a ciência do diagnóstico de câncer de mama, mas, por um instante, veio o sentimento de ter sido derrubada pela vida quando estava olhando para o outro lado - algo que jamais esperava e que me machucou muito, que doeu lá no fundo", relembra.

Depois da realização do auto-exame, a mineira descobriu uma área endurecida na mama esquerda e resolveu ir ao médico: "Fiquei em choque, muito angustiada. Ninguém está preparado para isso, mesmo que possua histórico familiar, o que não era o meu caso. De cara já me submeteram a uma ultrassonografia, e logo depois, a uma biópsia. É uma certeza que você vai recebendo em etapas conforme os resultados vão saindo. Aquelas semanas duraram muito mais tempo para mim."

Logo depois da notícia, a jornalista foi submetida a sessões de quimioterapia, radioterapia e à ressecção (retirada parcial) da mama esquerda, em outra unidade hospitalar. O processo, iniciado no final de 2015, totaliza até agora 11 meses. E não se resumiu apenas a uma traumática experiência pessoal: tornou-se uma delicada, íntima e visceral websérie, intitulada Amanhã Hoje É Ontem, que retrata a superação diária de Daniella pelos caminhos tortuosos da cura.


A aceitação do diagnóstico talvez seja uma das tarefas mais árduas e necessárias de todo o tratamento que, a princípio, também é negado pela própria família: "Quando você admite para si mesma que aquilo é real, passa a se concentrar na cura. Nesse momento, o susto passa, porque há duas escolhas: permanecer na postura de vítima ou aceitar a enfermidade entendendo que você não é a única nessa, há milhares de pessoas na mesma situação. O que você pode é fazer a sua parte e se aprofundar em si mesma durante o tratamento - o que eu chamo de despertar. Porque no meio de tanta dor, dúvida e medo, há uma possibilidade de transformação, de salvar a própria vida."

"Lembro até hoje que, quando saí do hospital no primeiro dia, o médico deu dois tapinhas no meu ombro, com a naturalidade que só eles conseguem ter, e disse: 'Depois de um ano, tudo isso vai acabar, você vai ver'", conta sobre o comportamento da equipe médica que a tranquilizou e a apoiou desde o início. "As pessoas pensam que o câncer de mama é uma coisa só, mas há vários tipos, níveis, o meu foi extremamente agressivo. Evitei a superinformação para não me abalar mais. Fiz questão de esquecer essas palavras técnicas, porque o objetivo desde o início foi tentar não pensar muito estatisticamente, e assumir mais a minha subjetividade", explica sobre a temática escolhida para retratar a sua história.

"Da maior importância"


Até hoje, foram divulgados 5 de 9 episódios, com distribuição totalmente gratuita, prevista até o fim de outubro, em seu canal no Youtube. Os momentos foram registrados por seu marido, Marcus Leskovsek, e editados pelo jornalista Gustavo Kassamba, em uma ilha de edição criada na própria casa da apresentadora - ambos integram o que podemos chamar de "equipe íntima". O título do projeto foi criação da própria filha do casal, Maria, de apenas 10 anos, que aos 5, fez a seguinte pergunta: 'Mamãe, amanhã, hoje, é ontem?', rememora Daniella: "Naquele momento, parei para pensar no sentido daquilo porque me surpreendi com a profundidade da frase, típica da pureza das crianças. Quando decidi colocar a ideia em prática, senti que o que queria fazer era a síntese da questão - que acabou virando uma afirmação."

E o significado da união das 4 palavras não poderia ser mais tocante: "Para mim, Amanhã Hoje É Ontem, expressa que tudo à nossa volta está conectado e vai passar. O tratamento pode significar muitas coisas e depende muito da vivência de cada um, mas para mim, foi capaz de mostrar a força do momento presente, num mundo em que estamos sempre nos projetando no futuro, ou agarrados ao passado. Essa sequência de acontecimentos na minha vida 'me puxou' para o presente, foi mais ou menos como um chamado de que precisava viver o aqui e o agora para superar. E foi algo que a minha filha me ensinou: a supremacia do 'hoje' sobre qualquer outro tempo que está por vir ou que já tenha existido."

O maior porto-seguro de Daniella foi, desde o início, sua pequena. "Eu sentia nela uma confiança, algo que me dizia que ia dar tudo certo. Ela sempre foi a minha maior razão para suportar tudo aquilo." A apresentadora também buscou forças nas situações que a mostravam que aquele não era um problema só seu: "Quando fui fazer a minha primeira sessão de radioterapia, vi uma criança da idade de Maria e comecei a chorar. Foi muito dolorido ver aquilo, porque ver é diferente de saber apenas. E eu buscava alguma inspiração naquilo, de enxergar que não é um sofrimento só meu - isso, para mim, foi um exercício de compaixão muito forte."

O medo por trás da palavra

Um dos momentos mais atribulados de todo o processo foi, sem sombra de dúvida, explicar à Maria porque a mamãe ficaria fraca e perderia os cabelos de uma hora para a outra: "Não entrei em detalhes para não assustá-la, mas resolvi abrir o jogo porque ela já estava com 9 anos, e achei que tinha idade o suficiente para entender o que estava acontecendo. Foi muito difícil porque há muito medo por trás da palavra câncer, algumas pessoas nem ousam dizê-la, preferem substituir por 'problema', e isso é muito nocivo para a própria aceitação", analisa.

A 'ficha' dos familiares apenas caiu depois da retirada do tumor: "O choque é tão grande que eles queriam acreditar que realmente 'não era nada', mas era. Acho que isso acontece porque é uma questão muito individual. Percebi muito isso pela minha mãe, que ficava se perguntando o porquê disso acontecer com a filha mais nova. Cada um tem suas próprias percepções, que variam muito para quem nunca passou por isso. Depois eles entendem que possuem um papel fundamental e passam a te acompanhar nos procedimentos, cuidar de você nas fases em que está mais fragilizada."

Daniella ainda relata que alguns amigos se afastaram completamente e acredita isso ocorra porque a maioria das pessoas não sabem lidar com uma doença tão estigmatizada: "De maneira geral, percebi que as pessoas não lidam muito bem porque se sentem impotentes e, talvez por ,isso tenham dificuldade de ajudar. Mas também há aqueles que te surpreendem com tanto afeto. De qualquer forma, tenho certeza que há muita gente que se isola por compartilhar do medo de encarar a enfermidade de frente." O projeto foi realizado sem nenhum tipo de apoio financeiro, contando apenas com a ajuda institucional da clínica onde a autora realizou o tratamento, a Oncomed.


A perda da imagem construída


"Construí a minha imagem por anos como apresentadora de televisão, então me senti extremamente abalada quando os primeiros fios começaram a cair", desabafa sobre sua decisão de não esperar a queda gradual do cabelo e raspá-lo de uma vez: "Antecipei a perda inevitável da percepção de mim mesma. Mas com o tempo, isso vai se tornando menos importante - mesmo que seja angustiante porque todo os procedimentos afetam as noções que temos do 'feminino' - a mutilação dos seios, a queda capilar. Já ouvi diversas vezes que 'cabelo cresce', mas todos que me disseram isso não estavam carecas como eu."

A autora ganhou uma peruca, tentou usá-la mas não se sentia bem - preferiu o chapéu, a touca, o lenço e até mesmo a ausência dos acessórios: "Não julgo quem teve uma escolha diferente da minha, porque é muito duro olhar no espelho e não se reconhecer, mas não deixa de ser uma tentativa de reconstituir o real. Mas aos poucos você vai deixando isso de lado, e entende que é mais do que aquilo, que há questões mais importantes em jogo.

                                                                                     Bel Diniz

A cura do espírito

Coincidentemente, uma amiga próxima da mineira recebeu o diagnóstico de câncer na mesma época: "Fomos as primeiras a passar por isso naquele círculo. E mais tarde descobri que outras mulheres próximas a mim também haviam travado a mesma batalha, mas nenhuma falava abertamente sobre isso. Outras pessoas passam a frequentar grupos de apoio. Eu preferi me aprofundar em mim mesma e documentar tudo isso - como num memorial, para que servisse a quem precisasse enxergar a doença de uma forma mais humanizada."

Essa investigação de si trouxe muitas dúvidas, esclarecidas com o acompanhamento terapêutico: "Também precisei enfrentar tudo muito rápido, quando soube do grupo já estava fazendo quimioterapia. Acho sempre muito válido todo tipo de atitude para se sentir um pouco melhor, porque ninguém atravessa essas turbulências sozinho." Além da preocupação com a sanidade mental,

Daniella, que já havia meditado antes, voltou à prática para restabelecer-se espiritualmente: "Como os procedimentos médicos são muito invasivos e agressivos, passei a fazer ioga diariamente - sentia que estava mais serena, mais calma. Para realizar um 'tratamento integralista', é fundamental apoiar-se em várias fontes que a devolvem toda a energia necessária para continuar."

A mineira ainda relata que os sintomas variam de dificuldades para dormir até fadiga: "Caminhava regularmente mas dei uma pausa porque a radioterapia me deixava muito cansada. Também passei a fazer acupuntura e ingerir alimentos orgânicos para tentar lidar um pouco melhor com as toxinas violentas que estavam no meu corpo. Sempre acreditei que redescobrir pequenas alegrias da vida, como a leitura, ajudariam a aguentar este trauma."


Olhar para o céu

Para as mulheres que, assim como Daniella, estão na luta para alcançarem a cura, um recado: "Antes de mais nada: aceite o diagnóstico. A negação só vai te fazer perder um tempo precioso. Então, concentre-se na sua cura que será ampla: da alma, do espírito, do corpo. E não se esqueça de olhar pro céu. O caminho é como um deserto - árido, longo. Quem passa por isso e quem acompanha de perto amigos e familiares nesta situação sabe que olhamos muito para o chão. Mas a gente tem que respirar fundo e e se alimentar dessa força que a natureza nos ensina diariamente, feita de ciclos, eternos recomeços."

Assista ao primeiro episódio da websérie Amanhã Hoje é Ontem
https://www.youtube.com/watch?v=nFJkJ_gf91o


Fonte: M de Mulher.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Sabrina Parlatore fala da recuperação do câncer de mama

Lutando há mais de um ano contra o câncer de mama, Sabrina Parlatore acaba de ser escolhida pelo Instituto Avon para estrelar uma campanha em combate à doença. 

Ex-modelo e conhecida do grande público pelos programas que apresentou na extinta MTV, em maio do ano passado Sabrina descobriu um tumor maligno no seio esquerdo e se submeteu a um forte tratamento de químio e radioterapia. Atualmente ela está bem. "A recuperação é lenta, mas aos poucos tudo está voltando ao normal", diz ela.

Na campanha, que será veiculada nas redes sociais do Instituto Avon, Sabrina gravou um vídeo convocando as mulheres para usarem a hashtag #atituderosa e conversarem com as amigas sobre a importância da prevenção à doença. 


A campanha está nas ruas de todo o país durante este mês, principalmente no dia 23, quando a gigante dos cosméticos promoverá, em parceria com as revendedoras da marca, ONGs e entidades que trabalham para o combate ao câncer de mama, uma grande mobilização nacional em cerca de 30 cidades. 

A expectativa é que 130 mil pessoas participem das caminhadas em cidades como São Paulo, Brasília, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro, entre outras.

Fonte:Oncoguia.