terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A visão que o paciente tem do câncer, os medos e como a terapia pode ajudá-lo


O processo de cuidar não deve se pautar somente na identificação dos sinais e sintomas clínicos da doença, mas nas modificações que ocorrem na estrutura dos seres humanos as quais se abalam em sua totalidade frente a uma doença.

Os estados emocionais são fatores de risco para doenças, moldam a aparência dos males, determinando o andamento e a marcha da recuperação.

Todo diagnóstico de câncer é sempre acompanhado de uma carga emocional muito grande e de fantasias decorrentes dos medos do portador e da família, quer seja em relação ao tratamento propriamente dito, quer seja à sua evolução.

No imaginário do paciente, o câncer pode representar um grupo de doenças que parece vir de algum lugar desconhecido, ataca sem avisar e pode potencialmente se localizar em qualquer lugar dentro do indivíduo, o que faz com que muitas vezes, o paciente, se coloque verbalmente como “tomado pelo câncer”.

É preciso ter muito cuidado com as imagens mentais que pacientes criam a partir das informações distorcidas que já escutaram a respeito do câncer ou do que interiorizaram como estigma desta doença a partir do que é repassado pela sociedade. O câncer aparece associado ao “ulcus rodens” (úlcera que corrói) ou ao caranguejo devastador que destrói tudo por onde passa. É esta ainda a ideia que impera no julgamento feito pela maioria das pessoas e é com esse paradigma mental que o paciente e sua família chegam aos consultórios oncológicos. Lidar com as fantasias mentais dos pacientes é imprescindível quando almejamos alcançar um cuidado integral.

É comum e na grande maioria dos casos realmente acontece, do paciente receber o diagnóstico de um câncer e imediatamente pensar: “Posso morrer desse câncer”. É como se a vida naquele instante se abreviasse. Todos vamos morrer um dia, mas eu – EU, posso morrer mais rápido e agora?

O diagnóstico de uma doença estigmatizante como o câncer pode trazer à tona para o paciente sua fragilidade como ser humano e a consciência de sua finitude. Talvez pela primeira vez na vida, o portador de um diagnóstico de câncer pense em sua condição de ser mortal. A doença se configura como uma morte simbólica, um lado sadio do paciente que já não existe mais e que vai necessitar de uma reorganização física, emocional e social para dar vazão a uma nova etapa da vida, onde tratamentos e incertezas serão vivenciados.

O ser humano é composto por uma tríade – corpo, mente e espírito, ligados ao social e ao cultural. Tudo que afeta nosso físico repercute no mental, podendo desencadear emoções das mais variadas. O fortalecimento do estado emocional melhora a adesão do paciente frente ao tratamento e sua resposta física, bem como melhor mais equilíbrio, entendimento e, consequentemente, melhor dinâmica familiar. Mas nem todo paciente pode necessitar de um acompanhamento terapêutico, mas o acompanhamento psicoterápico tem de estar obrigatoriamente à disposição do paciente tanto quanto para a família.

Trabalhar as emoções é tão importante quanto cuidar do corpo

Aceite e aprenda a lidar com sentimentos contraditórios: tristeza × alegria, coragem × desânimo, disposição × cansaço e tantos outros;

Acolha seus sentimentos e emoções; estar triste não é ruim, só não pode é ficar na tristeza, ela tem de se mesclar a outros momentos onde a felicidade tem seu lugar;

Fale sobre sua doença e tratamento (se quiser) – você não é uma ilha, mas procure a pessoa certa para fazer isso acontecer; os serviços de oncologia mormente possuem o serviço de psico oncologia que pode oferecer esse suporte.

Poderão existir limitações impostas pelo tratamento, procure ajuda para saber como lidar melhor com elas; você não precisa ser um super homem nem uma mulher maravilha, sem cobranças;

A doença pode ser um ponto de mutação. Tenho uma frase antológica de um paciente curado de um câncer de cólon: “Se não fosse o câncer eu teria morrido, o câncer me salvou, agora sou nova pessoa”. Geralmente há um reinventar-se, uma retomada de vida com novos valores.

Paciente e família são entendidos como uma única unidade de atendimento. A família é cuidadora e receptora de cuidados. Olhar o paciente como parte de um núcleo familiar e afetivo.

Lembrar à família que o cuidar do outro não exclui o auto cuidado, caso contrário em pouco tempo teremos vários doentes e não mais um só.

Os estados emocionais são fatores de risco para doenças, moldam a aparência dos males, determinando o andamento e a marcha da recuperação.

Doenças que possuem um impacto como o câncer e tem em seu tratamento efeitos que podem comprometer limitações na rotina de vida do paciente, ou seja, um cotidiano que irá mudar para além do controle do paciente, requer uma acomodação psíquica. Em se tratando de oncologia costumamos falar de uma modalidade de atendimento que é Psicoterapia Breve que tem como foco o surgimento de um câncer e o quanto esse impacto vai determinar um melhor ajustamento do paciente a sua vida.

Alguns modelos de intervenções terapêuticas que podem auxiliar no tratamento do câncer tanto para o paciente quanto para a família:
  • Acolhimento;
  • Escuta ativa;
  • Relaxamento com utilização de imagens mentais;
  • Psicoterapia Breve individual ou em grupo;
  • Orientação e informação;
  • Aconselhamento familiar;
  • Verificar a influência de situações passadas (questões pendentes) relacionadas à situação presente.
A utilização dessas intervenções dentro de um processo terapêutico podem criar condições favoráveis, tanto para a expressão emocional como para o resgate de recursos adaptativos latentes dos pacientes e familiares contribuindo de forma decisiva para um maior comprometimento com o processo saúde versus doença, em que pacientes, familiares e toda a equipe percebem que são agentes participadores e transformadores, criando assim, mecanismos de enfrentamento que reduzem sensivelmente a angústia e a ansiedade relativas ao impacto do diagnóstico, o que, consequentemente, reflete em melhor qualidade de vida.

Fonte: Viver Hoje

As informações e sugestões contidas neste blog são meramente informativas e não devem substituir consultas com médicos especialistas.

É muito importante (sempre) procurar mais informações sobre os assuntos 

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