quarta-feira, 21 de março de 2018

Esteticista vence câncer de mama e vira inspiração para outras mulheres no Sul de MG

Patricia Gil está à frente de uma ONG em Poços de Caldas que atende e busca aumentar autoestima de pacientes


Patricia Gil (primeira à esquerda) venceu o câncer e virou inspiração em Poços de Caldas (MG) (Foto: Eva Cavalcanti)

O diagnóstico de um câncer é uma notícia que ninguém gostaria de receber. Muitas vezes sem aviso, a doença traz incerteza a projetos e sonhos. Este foi o caso da esteticista Patricia Gil, de 42 anos, de Poços de Caldas (MG). Ela enfrentou e venceu a batalha contra o câncer de mama. Mais do que isso, transformou sua história em fonte de inspiração para outras mulheres que enfrentam as mesmas dificuldades.

Desde janeiro de 2017, Patricia é embaixadora da Fundação Laço Rosa em Minas Gerais. Ela está à frente do núcleo poços-caldense da ONG, que tem sede no Rio de Janeiro (RJ).

No Sul de Minas, a fundação exerce um trabalho de acolhimento e apoio a pacientes com câncer, e age efetivamente no resgate da autoestima de mulheres que enfrentam a doença. Além do apoio psicológico e emocional, a Laço Rosa conta com um banco de perucas, lenços e próteses mamárias externas, feitas de alpiste, todas à disposição para serem doadas.

Patricia é embaixadora da Fundação Laço Rosa no Sul de Minas (Foto: Camilla Resende/G1)

Antes de poder compartilhar sua experiência vitoriosa com outras pacientes, Patricia sentiu na pele o peso de se descobrir doente. Quem percebeu a mudança em um dos seios foi o marido, em maio de 2015. Foram 25 dias de angústia, até que os exames resultaram em um diagnóstico: um tratamento hormonal feito há quatro anos levou Patricia a desenvolver um carcinoma, que é o tumor maligno.

"Foi bem difícil, por que eu não tinha nenhuma informação sobre câncer. Eu fazia parte daquele grupo de pessoas que acha que quando você tem um câncer você vai morrer", explica.

"Isso assusta muito, porque você não sabe o que vem pela frente. E eu fiquei muito desesperada, eu tinha meu filhos pequenos ainda, meu marido, eu tinha uma vida inteira, sonhos, planos. Então, a ideia de que eu iria morrer, de que aquilo tudo iria ficar ali, estacionado, e que eu jamais iria concretizar tudo aquilo que eu estava sonhando, assustou demais, me abalou".


"Hoje em dia eu sei que não é assim, que existem vários tipos de câncer, vários tipos de tratamento… mas só depois que eu fui descobrir que a coisa não é bem do jeito que a gente imagina".

O tratamento


A primeira medida de combate ao câncer foi a quadrantectomia, uma cirurgia que remove a parte da mama afetada pelo câncer. Depois, por precaução, Patricia deu início às sessões de quimioterapia. Neste momento, começou a fase mais difícil.

Muito vaidosa e cheia de cuidados com os cabelos, foi sofrido perdê-los. O processo da queda começa geralmente 15 dias depois do início do tratamento, mas pode variar de acordo com cada paciente.

Patricia perdeu os cabelos em razão da quimioterapia (Foto: Camilla Resende/G1)

“É muito triste dizer isso, mas na época eu fiquei mais abalada pela perda do cabelo do que pela doença em si. Essa é uma maneira muito estúpida de perder o cabelo. Você não está esperando e, de repente, começa a fazer um tratamento onde vai se ver totalmente careca.”

Ela conta que ver no espelho um reflexo sem os fios emoldurando o rosto era dolorido, como se o tratamento deixasse um lembrete do drama que estava vivendo. No momento mais delicado, Patricia, que é mãe de três filhos, resgatou forças para tranquilizar a família.

Queria que o marido e os filhos participassem da decisão. Ela escolheu raspar os cabelos no décimo terceiro dia de quimioterapia.

“Eu entreguei uma tesoura na mão de cada um e disse ‘agora corta o cabelo da mamãe’. O meu menino do meio disse ‘eu posso mesmo cortar o seu cabelo?’, porque ele sabia o quanto eu era apegada… eu confirmei ‘pode, claro que sim, esse cabelo é um cabelo doente, ele vai embora. A mamãe vai fazer um tratamento e novos cabelinhos virão com saúde. Então é o momento de tirar.’ Ele chorou um pouco, depois ajudou a cortar. Para finalizar, o meu marido veio com a máquina e passou por toda a cabeça.”

Foi um momento decisivo. Desde que raspou os cabelos, ela optou por encarar o tratamento como uma batalha que venceria, vivendo um dia de cada vez. Muitas vezes, mesmo com a insegurança de carregar o fardo do tratamento, foi a força de Patricia que a trouxe para onde está hoje, servindo de inspiração a outras mulheres.


Campanha doou peruca a Patricia, de Poços de Caldas (MG); momento foi registrado em vídeo (Foto: Reprodução/Youtube)

Em uma ação emocionante, as amigas de Patricia a surpreenderam com uma peruca feita com os cabelos doados por elas.

“Foi uma surpresa incrível, indescritível, eu vivi dias de glória. Depois de tudo aquilo que eu tinha vivido de mais triste na minha vida, de repente eu me vi em um set de filmagem, fazendo uma campanha extremamente forte, sobre o acolhimento, o empoderamento da mulher, incentivando mulheres a doarem os cabelos para confecção de perucas. Tudo a ver com o que eu estava vivendo. Justamente na parte que mais me abalou, que foram os cabelos. Representar isso foi surreal para mim”.

A partir daí, os laços de Patricia com a Laço Rosa se estreitaram. Ela deu palestras, viajou e, depois de uma campanha do Outubro Rosa, a presidente da Fundação, Marcele Medeiros, convidou Patricia para ser embaixadora da ONG.

Em Poços de Caldas, no começo dos trabalhos pela fundação em 2017, Patrícia dividia uma mesa com a professora de artesanato da Unacon, Unidade de Atendimento de Alta Complexidade em Oncologia da cidade.

O que começou com um banco de perucas em uma sala compartilhada, hoje é como extensão da casa da pacientes. Além das doações, o núcleo da Laço Rosa oferece amparo. Com as voluntárias, quem enfrenta a batalha contra o câncer pode rir, chorar e desabafar. Compartilhando o peso e oferecendo conforto, a Fundação é capaz de mudar vidas.


Bons frutos


“Eu já falei para a Patrícia que ela é o meu anjo da guarda. É nela que eu me inspiro para seguir adiante.”

Além de servir de inspiração, Patrícia planta sementes em quem cruza sua trajetória. E os bons frutos aparecem. Em meio à gratidão, a paciente Luciene de Carvalho Oliveira, que foi amparada pela fundação, conta que hoje é ela quem aconselha outras mulheres que estão na mesma situação.


Luciene, de Poços de Caldas (MG), ganhou apoio de Patricia Gil no tratamento contra o câncer (Foto: Eva Cavalcanti)

Luciene procurou a fundação quando estava aflita por saber que perderia os cabelos. Patrícia a acolheu e escolheu pessoalmente uma peruca para Luciene. Sentindo-se mais forte, a paciente terminou a radioterapia no início de fevereiro de 2017 e deixou a peruca só em dezembro. O amparo que recebeu, hoje é oferecido por ela.

“Queria pedir para todas as que estiverem passando por isso agora, principalmente as que perderam os cabelos, que fiquem firmes. Pensem que esta é uma consequência da cura, tem que passar por isso. Mas tudo passa, tudo volta ao lugar", conta Luciene.

Patricia se emociona com as histórias de mulheres que passam pela fundação. Além do trabalho no projeto, ela mantém um blog chamado "Lenços ao Vento", páginas nas redes sociais e um canal no Youtube, onde compartilha dúvidas sobre a doença e dicas às seguidoras.


Patricia é embaixadora da campanha Laço Rosa e participa de ações no Sul de MG (Foto: Arquivo Pessoal/Patricia Gil)

O câncer, para Patricia, é uma doença cruel, mas que pode ser encarada e vencida. "Eu tinha duas alternativas: me entregar ou lutar. E escolhi lutar. Por amor a mim e minha família, eu ainda tinha tanta coisa para viver... E queria viver", lembra.

"Hoje, graças a Deus e à minha força de vontade, o final desta história foi muito feliz. E, acreditem, tudo passa, vale à pena lutar pela cura, sou prova viva disso. Lute com todas as suas forças".


Patrícia Gil compartilha história contra câncer de mama em Poços de Caldas (MG) (Foto: Arquivo Pessoal/Patricia Gil)


Fonte: G1

As informações e sugestões contidas neste blog são meramente informativas e não devem substituir consultas com médicos especialistas.

É muito importante (sempre) procurar mais informações sobre os assuntos

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